

Fotogramas de coisas simples que trago comigo. Coisas que quero agarrar, fechar num globo de neve, e guardar bem para não fugirem.












Fico magoada com a vida, que tanto levo ao colo, quando vejo linhas trocadas. Quando me chegam às mãos palavras magoadas de gente de algodão e camomila. Gente de coisas meigas assim, não merece.
Olho as voltas trocadas das coisas e choro. Não por mim mas pela vida trocada de quem merece tudo e não teve nada que merecesse.
Há uma tendência cruel para se pisar a bondade sem limites. Há um mundo que não entendo de sentimentos maus. Há um mundo nisso? Ou há um pedaço de mundo nisso?
Nunca pensei que a vida conseguísse rodar 360º perfeitos. Ciclos?
Pensar que o que cada dia se sonha não pode acontecer.
Acontecer o que se sonha cada dia. Não pensar.
Sonhar que aconteceu o que se pensa a cada dia.
Planear. Tentar chegar à situação perfeita. Fazer acontecer?
Quase sem darmos por isso tudo acaba por suceder
Passaram-se anos.
Passaram-se passados.
Sabes...a sensação é que não se passou quase nada.
Estas aqui e o peso do tempo não existe. Quem disse que passou tempo? Parece mais que não te via desde ontem de tanto sempre estares aqui.
Aconteceu. Aconteceu? Aconteceu.
Acabar com o erro. Fazê-lo desaparecer. Dedicar-me ao fim dos meus males.
Chegar a ti.
Seja para o que for.
Apenas nunca mais perder, assim.
Venha o que tiver de vir.
Pego na vida com as mãos. Beijo-a com as linhas dos lábios e agradeço-lhe por esta volta de 360 perfeitos.
O teu cheiro continua o mesmo sorriso.
"Dear Leonard...
to look life in the face,
always... to look life in the face...
and to know it... for what it is...
at last to know it...
to love it... for what it is...
and then...
to put it away.
Leonard...
always the years between us
always the years...
always the love...
always the hours..."
in The Hours screenplay
Mais uma noite em que não resisti a ler o filme, a ver o livro.
Não vou esquecer. Não te vou esquecer. Não vou nunca esquecer. Serás sempre. Mulher. Serás imagem, referência, um busto de ser feminino esculpido em matérias de saber. Serás as histórias que me farão sempre sentir a magia de ser pequenina. Serás poemas de menina grande, de feridas que saram, enquanto te oiço sentada na praia a pensar aquelas coisas que surgem de pés enterrados na areia e de olhos no horizonte de mim. Esperarei sempre a menina do mar que vem e me dá a mão apertada.
Recordo a doce homenagem que, há três anos, os teus amigos te fizeram no melhor maço de criativo(s) português.Ficam aqui pedaços de objectiva. Ficarão (em nós) pedaços de ti(nta) tua.