terça-feira, 9 de junho de 2009
Lykke Li, tricky look
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Quem tramou Jericho?
Recentemente embalei em Jericho e experienciei algo que me desagradou imenso: uma série inacabada. Ficou a pergunta: porque é que uma história tão bem alicerçada foi morta antes de ser construída. Afinal, quem tramou Jericho?

A série com nome de pequena cidade no Kansas, cria um cenário apocalíptico desde o primeiro episódio: os Estados Unidos da América sofreram atentados terroristas em vários pontos da nação e nada será como antes.
Enquanto decorria a primeira temporada, os habitantes de Jericho tentavam proteger a cidade e manter uma democracia que se tornava quase impossível em situação de caos. Ainda decorria a primeira temporada e Jericho, a série da CBS, travava um show de sobrevivência também fora do ecrã contra a baixa audiência, que começou nos 11 milhões e terminou com 6 milhões de espectadores.
Enquanto os habitantes de Jericho se (re)uniam para travar batalhas com a cidade vizinha, New Bern, contra a desconfiança e a favor dos bons princípios, que dificilmente resistem num cenário onde vão desaparecendo os bens primários e dão lugar à fome e ao desespero. Os fãs de Jericho mobilizados pelo animador do programa de rádio Blogtalkradio.com, Shaun Daily, começaram uma batalha conta a CBS, invadindo o estúdio com cerca de 40 mil…amendoins.

Inspirados por Jake, personagem principal, que no final da primeira série, quando a vizinha New Bern pede a Jericho que se renda, recusa o pedido com a palavra «nuts» (a mesma resposta que o general americano Anthony McAuliffe deu aos alemães na batalha de Bastogne, na segunda Guerra Mundial). Uma história recordada entre amigos e familiares de Jake, batizada como a «história dos (pea)nuts» e que inspirou um momento de revolução dentro e fora da série.Um protesto que começou de forma inocente mas que, de tão bem organizado, mexeu com os estúdios da CBS de tal forma que foi anunciada a encomenda da segunda série. A vitória dos fãs de Jericho, desvaneceu quando perceberam que a segunda série tinha apenas sete episódios, um amendoim
Os produtores que tentaram salvar a cidade na primeira série, tiveram que salvar uma nação em sete episódios, deixando tudo em aberto para caso mais uma revolução voltasse a acontecer fora dos ecrãs. Uma tarefa ingrata mas bem conseguida. Para a produtora executiva Carol Barbee, a «revolução dos fãs» só pode ser um ponto alto da sua carreira.
Depois de inúmeras batalhas travadas pelos habitantes de Jericho com meios mais que escassos, da morte abrupta de personagens queridas, de descobrirmos que o mau era «o bom da fita» e de ficarmos com os olhos em ferida por confirmar que a guerra justifica até os nossos instintos mais primários, a vingança sem limites, e só deixa de pé o valor dos valores, o amor incondicional. Jericho cai por terra fora do ecrã, dando-nos a certeza que desde aquele cogumelo de fumo a vida nunca mais foi fácil para a pequena cidade do Kansas. Soube a pouco. Há rumores de que a série vai ser vendida a um canal por cabo que possa aguentar «essas pequenas audiências»…No início de 2008 foi erguido na entrada de Chicago uma cartaz que diz: «Jericho à venda: 6 milhões de órfãos». New fan attack? Nunca tive dúvidas que a ficção é uma óptima forma de inspirar a realidade.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Anthony wears Prada
Quando as artes se unem, encontramos músicos como o Anthony que compôs notas para os tecidos sóbrios de Miuccia Prada. Peças únicas por pequenos e brilhantes pormenores. Combinam na perfeição!
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Vem Brincar!!!
Feist - 1 2 3 4 (letra adaptada à série)
A Feist aprendeu como se vai... :)
O vídeo original deve ter sido um bom começo.
Feist - 1 2 3 4
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Apresento-a
Bat for Lashes - Whats a girl to do
Fez a primeira parte do concerto de Radiohead, em Dublin. Trouxe-a também comigo.
segunda-feira, 3 de março de 2008
Juno: “ Um rabisco que não pode ser desfeito”
Incrivelmente inteligente para a sua idade e cheia de respostas perspicazes na ponta da língua. Menina de trato irónico, olhar sereno e postura descontraída. Atributos que fazem parte do tudo que (pre)enche a pequena Juno de contradições. A mais recente: um bebé aos 16 anos. “ Um rabisco que não pode ser desfeito, minha”, diz o vendedor da loja onde compra mais um dos muitos testes de gravidez ( o incrível Riann Wilson). Nada em Juno é esperado. Nada em Juno tem 16 anos. Nada em Juno reage com o tom de uma adolescente ‘acidentalmente’ grávida que tem que abrir um espaço cada vez maior com a barriga por entre a multidão dos corredores da escola. A descontracção que põe em tudo é a mesma com que numa tarde ‘de seca’ decidiu fazer sexo pela primeira vez com o seu melhor amigo Bleeker.
Não, não estamos perante mais um filme para adolescentes – suspiramos.
Juno não recorre ao aborto, os pais reagem aparentemente bem à confissão seguida de um comunicado sobre a certeza de querer dar o filho para adopção, tem a ajuda incondicional da melhor amiga e enfrenta de forma descomplexada a sociedade que lhe crava os olhos. Uma reacção associada à figura de menina forte e, quem sabe, ao ponto a que as coisas chegaram hoje em dia, um ponto estranho para muitos mas, sobretudo, livre. “Hello, I’d like to procure a hasty abortion”. Expressões que passaram a ser chamadas de junismos.
Nunca poderemos comparar Juno a um a A Little Miss Sunshine mas sabemos que a carrinha amarela do filme com mais sumo concentrado dos últimos tempos lhe abriu portas, lhe deu este lugar nos Óscares e sobretudo nas principais salas de cinema. Sabemos que Juno e Leah são uma espécie de irmãs (bem) mais novas de Thora Birch e Scarlett Johansson, em Ghost World, que tanto trabalharam a sensibilidade do espectador para filmes “dark and funny”: filmes fixes, com miúdas muito à frente (da sua idade), com vidas carimbadas por ícones que vão dos anos 50 aos 80. Um caminho também feito por filmes como Garden State, onde os parvos são gente apaixonante e com sentimentos bonitos. Tentativas mal concretizadas por muitos dos filmes de Domingo à tarde.
Mais que a última personagem representada por Ellen Page, Juno é a nossa nova amiga. Tem 16 anos e está grávida - como milhares de outras jovens – pensamos. E quê? Ela é a primeira a não querer dar ênfase ao pânico que pode haver nisso mas sim à sorte que pode estar à espreita em tudo o resto. Apesar de tudo e por mais que Juno apareça no ecrã como uma pequena guerreira de armadura de ferro não perdemos vontade lhe dar um abraço. Afinal é uma menina, tem 16 anos, esteve grávida e decidiu dar o filho para adopção.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Californication - Can you always get what you want?
Californication - 2007Acabei de ver o último episódio da série Californication.
Devo dizer que vi os doze episódios em muito pouco tempo. Como se de um livro se tratasse. As primeiras páginas foram-se entranhando e as seguintes desapareceram, em contagem decrescente, noite dentro.
Californication não tem nada de novo. É uma série sobre um escritor em crise, que vai de Nova Iorque para Los Angeles à procura das palavras que não encontra há sete anos, sem perceber que pelo caminho perdeu o amor da mulher.
Californication tem algo de velho. Um actor que um dia já nos fez companhia no grande ecrã: David Duchovny. Este, encarna Hank Moody, um personagem delicioso que marca o regresso do “american coolfatherfucker”. Uma mistura de “badmothafucker”, que vive rodeado de mulheres que facilmente descarta. De pai ‘cool’ e estremoso que nos delicia com a sua relação de amizade com a filha de doze anos, uma menina-promessa Rock Star. De companheiro arrependido, por ter deixado desvanecer uma relação de anos, que luta com uma retórica sublime contra o seu novo ‘rival’, que vive com a certeza que um dia vai voltar a ter o seu amor e a sua família reunida.
Um bom exercício de guionismo no que cabe à construção de um personagem tipo. Uma grande representação de David Duchovny. Só por nos ter dado a conhecer esta nova personagem (que me trouxe barrigadas de riso e que acabou com a seriedade extrema que punha em Fox Mulder), Californication já valeu muito a pena. E tendo em conta que o resto também não está nada mau. Eu, recomendo.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
sábado, 26 de janeiro de 2008
E se uma voz começasse a narrar a tua vida?
É normal que em tantos anos de cinema as estórias já tenham sido todas contadas. O cinema, cada vez mais, deixa de dar toda a importância ao fim dos filmes. O ponto mais alto do gráfico, o clímax, passa a ser assinalado no meio da linha. Um filme não passa só pelo “quê” mas por “como” contar - relembramos. Uma boa prova disso é a cada vez mais comum recorrência a títulos que revelam os filmes. Estou a falar, também, do brilhante retorno ao Western pelas câmaras de Andrew Dominik, pela pele de Brad Pitt e pelo rosto de Casey Affleck.
“Contado ninguém acredita” (Stranger than fiction) é mais um filme sobre o quotidiano rotineiro a que muitos se rendem, sobre o despertar para o ‘viver a vida’, sobre a realização de sonhos. Um todo que só tem sentido se existir amor. Realidade para a qual o personagem desperta, quase sempre, sob ameaça de doença ou morte.
“Contado ninguém acredita” é um filme sobre Harold Crick (Will Ferrell) e o seu relógio. Sobre uma escritora brilhante (Emma Thompson, vénia)
Que o cinema se faça de filmes como este.
domingo, 18 de novembro de 2007
A quinta frase completa na página 161 de um livro

Gosto de acordar tarde ao Domingo e sem pressas abrir a janela que hoje trouxe frio e me fez rejubilar ao perceber que podia ficar quanto tempo quisesse debaixo das flores do edredão. Sem nunca pensar se se tratam de restos repetidos, abri o portátil, como se este dia da semana me desse a oportunidade de ter a janela em que espreitamos o mundo ao colo.
Hoje cansei-me depressa disso tudo. Percorri a casa a abrir janelas e portas. Fiz mil e duas coisas em pouco tempo. Precisava de algo mais. Preciso de algo mais. Apesar de tudo, o Domingo é aquele dia que nos deixa irrequietos por sermos donos do nosso tempo. Ser dono do tempo não é tarefa fácil para quem gosta do quente do edredão. E os meus últimos dias têm sido todos Domingo.
Percorrendo os cantinhos dos amigos, sejam eles quais e quem forem, vi que a menina Filipa nem longe deixa de ser uma boa agita Domingos. Sempre achei que tal como eu, com arte e manhas tenta sempre chegar ao fim dos ‘dias sem tempo marcado’ com a sensação de que lhes espremeu o sumo. [Ainda são três da tarde e as minhas mãos já cheiram a laranja]. Está em Braga e já que não me pode desafiar a irmos até ao sol, aos jardins, às ruas e às esplanadas 'esplanar' (diga-se Adamastor), fez-me um en garde de letras e de longe.
1ª - Pegar num livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª - Abrir na página 161;
3ª - Procurar a 5ª frase completa;
4ª - Postar essa frase no seu blog;
5ª - Não escolher a melhor frase, nem o melhor livro;
6ª - Repassar para outros 5 blogs;
O livro m
ais próximo, é este. Na página
“Quando fazia frio, as superfícies caneladas enchiam-se de água quente através de um mecanismo útil e engenhoso; mas durante quanto tempo a sociedade ocidental iria conseguir aguentar sem uma religião qualquer?”
Confirmo outra vez se é mesmo esta a quinta frase completa. Nunca achei muita piada a fazer batota, de verdade.
Achei, ainda, mais giro o que isto tudo fez lembrar a tua mãe. Um jogo que também me regalou barrigadas de riso em muitas noites, anos atrás. Juntei à minha a frase das três meninas que jogaram antes de mim.
O jogo ficou MUITO mais divertido. Afinal não é todos os dias que juntamos a quinta frase da página 161 do livro O jornalismo em Análise de Mário Mesquita, Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde e As Partículas Elementares de Michel Houellebecq. Em suma, a quinta frase da página 161 do livro que a Eduarda, a Carolina, a Filipa e a Inês tinham mais à mão naquele momento. E a partir daqui poderia redigir uma grande dissertação. Mas é Domingo.
P.S.- Ah! Bato a minha mão em corrida de estafeta a Derivas de um barco Ébrio, Meia de Leite, Crocodilo, O Cubo e Rosette Hostel.
P.S.2- E já agora se quiserem juntar as as três frases dos que jogaram até que o jogo chegasse a vocês...
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
sábado, 22 de setembro de 2007
Costiera Amalfitana
Qual é a coisa, qual é ela?...
Parou o carro. Estávamos em Pollara. Já se via o mar. Um painel cintilante de água que entrava por uma encosta de rochas perfeitamente esculpida que se via bem lá ao fundo de 150 escadas.
-Trouxe-te aqui porque sabia que ias gostar.
-É linda a praia.
-É, mas... estás a ver este portão? É o portão da casa onde foi filmado "O Carteiro", de Pablo Neruda.


Messina

A caixinha de surpresas não parou de se abrir e foi em Messina que descobri que Roberto Benigni estava a fazer um espectáculo por todo o país e que ia estar na cidade num dos dias em que me encontrava aí.
Inspira, expira. Compra o bilhete. Beija o bilhete. Entra no estádio. Um estádio cheio para ver o Roberto? Claro. Desculpem a proximidade mas foi ele que pediu e deixou. Ambiente de festa popular. Eis que entra o energético poema humano do cinema italiano. Palmas. Um silêncio que transpira respeito. Arrepio. Stand up comedy que salta entre temas variados como Berlusconi, Berlusconi e Belusconi. Ah!E políticos italianos que não conhecia. Uma assombrosa dissertação sobre o amor inspirada em Dante. Inspira, mais e mais: Benigni está a recitar Dante!!! Fim. 5 "voltas" de aplausos. Seja a quem for: obrigada.
sábado, 18 de agosto de 2007
United colors of Burano





Depois de dois dias na incomensurável Veneza não pudemos deixar de aproveitar as últimas horas do terceiro para conhecer uma das pequenas ilhas que ladeiam a cidade de caminhos de água.
Depois de colares, jarras e até cachos de uvas em Murano o mais lógico era rumar até à ilha onde se fazia o bendito vidro.
Entramos no posto de turismo, pedimos um mapa e enquanto procurávamos Murano e os barcos até lá, a felizmente intrometida guia veio pedir-nos que escolhêssemos Burano. Como Indiana Jones bebés que ainda somos, aceitamos sem pensar (duas vezes?). Não, sem pensar muito no assunto, mesmo!
O barco seguiu o caminho de mar que tinha passagem pela cinematográfica ilha do cemitério. E levou-nos até aqui. Saltamos do barco e abriu-se um livro para crianças. As ilustrações eram casas. Estas. A história podia ser qualquer uma das que fazem adormecer os pequeninos.
Burano foi uma pepita de ouro na caixinha de surpresas em que se tornou esta viagem.







