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terça-feira, 9 de junho de 2009

Lykke Li, tricky look



Desde que corri meia cidade de Lisboa para chegar às oito horas ao Variedades para ver esta menina, a música dela passou a fazer parte da minha vida e dos meus dias. 
Entrar a correr pela porta e acalmar a respiração (que parou) ao ver Lykke com o seu ar de pregadora angelical, a contrastar com a decandência do Parque Mayer, foi um dos grandes momentos desse também grande festival.
Não a percam por nada, Alive.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Quem tramou Jericho?

São muitas as noites em que caio no sono a ver parte ou um episódio de uma série. Os livros ficaram para os dias e encontrei nas séries aquele embalo perfeito, que não me faz massacrar no escuro os assuntos do dia-a-dia e me envolve numa história que alimenta o meu caminho até ao son(h)o. Foi este gosto que me permitiu descobrir trabalhos tão importantes como Sete Palmos de Terra (a série das séries), Sopranos (obra-prima), Lost (métrica-prima) ou Angels in America. E olhem que dou uma oportunidade até às «Veronicas Mars».
Recentemente embalei em
Jericho e experienciei algo que me desagradou imenso: uma série inacabada. Ficou a pergunta: porque é que uma história tão bem alicerçada foi morta antes de ser construída. Afinal, quem tramou Jericho?



A série com nome de pequena cidade no Kansas, cria um cenário apocalíptico desde o primeiro episódio: os Estados Unidos da América sofreram atentados terroristas em vários pontos da nação e nada será como antes.
É com o visionamento de um cogumelo de fumo no horizonte, imagem que só pode ser associada à bomba atómica, que percebemos que aquele foi talvez o único dia normal na vida dos habitantes da cidade que acabamos de conhecer. O dia em que Jake (Skeet Ulrich) faz uma curta visita à família e a Jericho, depois de cinco anos de ausência, e que o prende para sempre ao passado e à cidade que pretendia voltar a abandonar. A missão para os episódios seguintes é descobrir tudo o resto.

Enquanto decorria a primeira temporada, os habitantes de Jericho tentavam proteger a cidade e manter uma democracia que se tornava quase impossível em situação de caos. Ainda decorria a primeira temporada e Jericho, a série da
CBS, travava um show de sobrevivência também fora do ecrã contra a baixa audiência, que começou nos 11 milhões e terminou com 6 milhões de espectadores.

Enquanto os habitantes de Jericho se (re)uniam para travar batalhas com a cidade vizinha, New Bern, contra a desconfiança e a favor dos bons princípios, que dificilmente resistem num cenário onde vão desaparecendo os bens primários e dão lugar à fome e ao desespero. Os fãs de Jericho mobilizados pelo animador do programa de rádio
Blogtalkradio.com, Shaun Daily, começaram uma batalha conta a CBS, invadindo o estúdio com cerca de 40 mil…amendoins.

Peanuts porquê?

Inspirados por Jake, personagem principal, que no final da primeira série, quando a vizinha New Bern pede a Jericho que se renda, recusa o pedido com a palavra «nuts» (a mesma resposta que o general americano Anthony McAuliffe deu aos alemães na batalha de Bastogne, na segunda Guerra Mundial). Uma história recordada entre amigos e familiares de Jake, batizada como a «história dos (pea)nuts» e que inspirou um momento de revolução dentro e fora da série.Um protesto que começou de forma inocente mas que, de tão bem organizado, mexeu com os estúdios da CBS de tal forma que foi anunciada a encomenda da segunda série. A vitória dos fãs de Jericho, desvaneceu quando perceberam que a segunda série tinha apenas sete episódios, um amendoim
 envenenado.

Os produtores que tentaram salvar a cidade na primeira série, tiveram que salvar uma nação em sete episódios, deixando tudo em aberto para caso mais uma revolução voltasse a acontecer fora dos ecrãs. Uma tarefa ingrata mas bem conseguida. Para a produtora executiva Carol Barbee, a «revolução dos fãs» só pode ser um ponto alto da sua carreira.
Depois de inúmeras batalhas travadas pelos habitantes de Jericho com meios mais que escassos, da morte abrupta de personagens queridas, de descobrirmos que o mau era «o bom da fita» e de ficarmos com os olhos em ferida por confirmar que a guerra justifica até os nossos instintos mais primários, a vingança sem limites, e só deixa de pé o valor dos valores, o amor incondicional. Jericho cai por terra fora do ecrã, dando-nos a certeza que desde aquele cogumelo de fumo a vida nunca mais foi fácil para a pequena cidade do Kansas. Soube a pouco. Há rumores de que a série vai ser vendida a um canal por cabo que possa aguentar «essas pequenas audiências»…

No início de 2008 foi erguido na entrada de Chicago uma cartaz que diz: «Jericho à venda: 6 milhões de órfãos». New fan attack? Nunca tive dúvidas que a ficção é uma óptima forma de inspirar a realidade.


quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Anthony wears Prada



Quando as artes se unem, encontramos músicos como o Anthony que compôs notas para os tecidos sóbrios de Miuccia Prada. Peças únicas por pequenos e brilhantes pormenores. Combinam na perfeição!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Vem Brincar!!!


Feist - 1 2 3 4 (letra adaptada à série)

A Feist aprendeu como se vai... :)
O vídeo original deve ter sido um bom começo.


Feist - 1 2 3 4

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Apresento-a



Bat for Lashes - Whats a girl to do

Fez a primeira parte do concerto de Radiohead, em Dublin. Trouxe-a também comigo.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Juno: “ Um rabisco que não pode ser desfeito”

Incrivelmente inteligente para a sua idade e cheia de respostas perspicazes na ponta da língua. Menina de trato irónico, olhar sereno e postura descontraída. Atributos que fazem parte do tudo que (pre)enche a pequena Juno de contradições. A mais recente: um bebé aos 16 anos. “ Um rabisco que não pode ser desfeito, minha”, diz o vendedor da loja onde compra mais um dos muitos testes de gravidez ( o incrível Riann Wilson).
Nada em Juno é esperado. Nada em Juno tem 16 anos. Nada em Juno reage com o tom de uma adolescente ‘acidentalmente’ grávida que tem que abrir um espaço cada vez maior com a barriga por entre a multidão dos corredores da escola. A descontracção que põe em tudo é a mesma com que numa tarde ‘de seca’ decidiu fazer sexo pela primeira vez com o seu melhor amigo Bleeker.

Não, não estamos perante mais um filme para adolescentes – suspiramos.

Juno não recorre ao aborto, os pais reagem aparentemente bem à confissão seguida de um comunicado sobre a certeza de querer dar o filho para adopção, tem a ajuda incondicional da melhor amiga e enfrenta de forma descomplexada a sociedade que lhe crava os olhos. Uma reacção associada à figura de menina forte e, quem sabe, ao ponto a que as coisas chegaram hoje em dia, um ponto estranho para muitos mas, sobretudo, livre. “Hello, I’d like to procure a hasty abortion”. Expressões que passaram a ser chamadas de junismos.

Nunca poderemos comparar Juno a um a A Little Miss Sunshine mas sabemos que a carrinha amarela do filme com mais sumo concentrado dos últimos tempos lhe abriu portas, lhe deu este lugar nos Óscares e sobretudo nas principais salas de cinema. Sabemos que Juno e Leah são uma espécie de irmãs (bem) mais novas de Thora Birch e Scarlett Johansson, em Ghost World, que tanto trabalharam a sensibilidade do espectador para filmes “dark and funny”: filmes fixes, com miúdas muito à frente (da sua idade), com vidas carimbadas por ícones que vão dos anos 50 aos 80. Um caminho também feito por filmes como Garden State, onde os parvos são gente apaixonante e com sentimentos bonitos. Tentativas mal concretizadas por muitos dos filmes de Domingo à tarde.
Mais que a última personagem representada por Ellen Page, Juno é a nossa nova amiga. Tem 16 anos e está grávida - como milhares de outras jovens – pensamos. E quê? Ela é a primeira a não querer dar ênfase ao pânico que pode haver nisso mas sim à sorte que pode estar à espreita em tudo o resto. Apesar de tudo e por mais que Juno apareça no ecrã como uma pequena guerreira de armadura de ferro não perdemos vontade lhe dar um abraço. Afinal é uma menina, tem 16 anos, esteve grávida e decidiu dar o filho para adopção.



Porque há noites em que dizemos:
-Vamos?
E nos respondem:
-Bora! :)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Californication - Can you always get what you want?

Californication - 2007

Acabei de ver o último episódio da série Californication.
Devo dizer que vi os doze episódios em muito pouco tempo. Como se de um livro se tratasse. As primeiras páginas foram-se entranhando e as seguintes desapareceram, em contagem decrescente, noite dentro.
Californication não tem nada de novo. É uma série sobre um escritor em crise, que vai de Nova Iorque para Los Angeles à procura das palavras que não encontra há sete anos, sem perceber que pelo caminho perdeu o amor da mulher.
Californication tem algo de velho. Um actor que um dia já nos fez companhia no grande ecrã: David Duchovny. Este, encarna Hank Moody, um personagem delicioso que marca o regresso do “american coolfatherfucker”. Uma mistura de “badmothafucker”, que vive rodeado de mulheres que facilmente descarta. De pai ‘cool’ e estremoso que nos delicia com a sua relação de amizade com a filha de doze anos, uma menina-promessa Rock Star. De companheiro arrependido, por ter deixado desvanecer uma relação de anos, que luta com uma retórica sublime contra o seu novo ‘rival’, que vive com a certeza que um dia vai voltar a ter o seu amor e a sua família reunida.
Um bom exercício de guionismo no que cabe à construção de um personagem tipo. Uma grande representação de David Duchovny. Só por nos ter dado a conhecer esta nova personagem (que me trouxe barrigadas de riso e que acabou com a seriedade extrema que punha em Fox Mulder), Californication já valeu muito a pena. E tendo em conta que o resto também não está nada mau. Eu, recomendo.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

sábado, 26 de janeiro de 2008

E se uma voz começasse a narrar a tua vida?

Stranger than fiction - 2006 -by Marc Foster

É normal que em tantos anos de cinema as estórias já tenham sido todas contadas. O cinema, cada vez mais, deixa de dar toda a importância ao fim dos filmes. O ponto mais alto do gráfico, o clímax, passa a ser assinalado no meio da linha. Um filme não passa só pelo “quê” mas por “como” contar - relembramos. Uma boa prova disso é a cada vez mais comum recorrência a títulos que revelam os filmes. Estou a falar, também, do brilhante retorno ao Western pelas câmaras de Andrew Dominik, pela pele de Brad Pitt e pelo rosto de Casey Affleck.

Contado ninguém acredita” (Stranger than fiction) é mais um filme sobre o quotidiano rotineiro a que muitos se rendem, sobre o despertar para o ‘viver a vida’, sobre a realização de sonhos. Um todo que só tem sentido se existir amor. Realidade para a qual o personagem desperta, quase sempre, sob ameaça de doença ou morte.

“Contado ninguém acredita” é um filme sobre Harold Crick (Will Ferrell) e o seu relógio. Sobre uma escritora brilhante (Emma Thompson, vénia) em crise. Sobre uma estudante de direito que desistiu do curso para mudar o mundo a fazer bolachas que aquecem o coração das pessoas (Maggie Gyllenhaal). Estes contam com a ajuda de um professor universitário de Literatura que nos tempos livres é nadador-salvador (Dustin Hoffman) e de uma ‘ajudante de escritores em crise de inspiração’ (Queen Latifah). Do rol de actores não nos podemos queixar, é verdade. Cinco estrelas para o grafismo e, claro, para a boa forma como este bolo é amassado. Quanto à história… se vos contasse, não acreditavam.

Que o cinema se faça de filmes como este.

domingo, 18 de novembro de 2007

A quinta frase completa na página 161 de um livro


Gosto de acordar tarde ao Domingo e sem pressas abrir a janela que hoje trouxe frio e me fez rejubilar ao perceber que podia ficar quanto tempo quisesse debaixo das flores do edredão. Sem nunca pensar se se tratam de restos repetidos, abri o portátil, como se este dia da semana me desse a oportunidade de ter a janela em que espreitamos o mundo ao colo.

Hoje cansei-me depressa disso tudo. Percorri a casa a abrir janelas e portas. Fiz mil e duas coisas em pouco tempo. Precisava de algo mais. Preciso de algo mais. Apesar de tudo, o Domingo é aquele dia que nos deixa irrequietos por sermos donos do nosso tempo. Ser dono do tempo não é tarefa fácil para quem gosta do quente do edredão. E os meus últimos dias têm sido todos Domingo.
Percorrendo os cantinhos dos amigos, sejam eles quais e quem forem, vi que a menina Filipa nem longe deixa de ser uma boa ag
ita Domingos. Sempre achei que tal como eu, com arte e manhas tenta sempre chegar ao fim dos ‘dias sem tempo marcado’ com a sensação de que lhes espremeu o sumo. [Ainda são três da tarde e as minhas mãos já cheiram a laranja]. Está em Braga e já que não me pode desafiar a irmos até ao sol, aos jardins, às ruas e às esplanadas 'esplanar' (diga-se Adamastor), fez-me um en garde de letras e de longe.

Regras:
1ª - Pegar num livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª - Abrir na página 161;
3ª - Procurar a 5ª frase completa;
4ª - Postar essa frase no seu blog;
5ª - Não escolher a melhor frase, nem o melhor livro;
6ª - Repassar para outros 5 blogs;

O livro mais próximo, é este. Na página 161 a quinta frase completa é:

“Quando fazia frio, as superfícies caneladas enchiam-se de água quente através de um mecanismo útil e engenhoso; mas durante quanto tempo a sociedade ocidental iria conseguir aguentar sem uma religião qualquer?”

Confirmo outra vez se é mesmo esta a quinta frase completa. Nunca achei muita piada a fazer batota, de verdade.
Achei, ainda, mais giro o que isto tudo fez lembrar a tua mãe. Um jogo que também me regalou barrigadas de riso em muitas noites, anos atrás. Juntei à minha a frase das três meninas que jogaram antes de mim.

“O riso é tribal. O Selvagem sobressaltou-se. Mas não sonhara. Quando fazia frio, as superfícies caneladas enchiam-se de água quente através de um mecanismo útil e engenhoso; mas durante quanto tempo a sociedade ocidental iria conseguir aguentar sem uma religião qualquer?”

O jogo ficou MUITO mais divertido. Afinal não é todos os dias que juntamos a quinta frase da página 161 do livro O jornalismo em Análise de Mário Mesquita, Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde e As Partículas Elementares de Michel Houellebecq. Em suma, a quinta frase da página 161 do livro que a Eduarda, a Carolina, a Filipa e a Inês tinham mais à mão naquele momento. E a partir daqui poderia redigir uma grande dissertação. Mas é Domingo.

P.S.- Ah! Bato a minha mão em corrida de estafeta a Derivas de um barco Ébrio, Meia de Leite, Crocodilo, O Cubo e Rosette Hostel.

P.S.2- E já agora se quiserem juntar as as três frases dos que jogaram até que o jogo chegasse a vocês...

sábado, 22 de setembro de 2007

Costiera Amalfitana

Ocupa o primeiro lugar no ranking das 100 maravilhas naturais no mundo, segundo a National Geographic.


Nápoles





Qual é a coisa, qual é ela?...

Era o último de 5 dias nas Eolie, ilhas do distrito de Messina. Queríamos uma tarde tranquila daquelas que as ilhas tão bem nos souberam dar: de palavras de água salgada. A comandante Manú, que cresceu nos terrenos secos de Salina, já sabia o sítio até onde nos tinha que guiar.
Parou o carro. Estávamos em Pollara. Já se via o mar. Um painel cintilante de água que entrava por uma encosta de rochas perfeitamente esculpida que se via bem lá ao fundo de 150 escadas.
-Trouxe-te aqui porque sabia que ias gostar.
-É linda a praia.
-É, mas... estás a ver este portão? É o portão da casa onde foi filmado "O Carteiro", de Pablo Neruda.




Ilhas Eolie - Stromboli



Ilhas Eolie - Salina - Santa Marina



























Messina














A caixinha de surpresas não parou de se abrir e foi em Messina que descobri que Roberto Benigni estava a fazer um espectáculo por todo o país e que ia estar na cidade num dos dias em que me encontrava aí.
Inspira, expira. Compra o bilhete. Beija o bilhete. Entra no estádio. Um estádio cheio para ver o Roberto? Claro. Desculpem a proximidade mas foi ele que pediu e deixou. Ambiente de festa popular. Eis que entra o energético poema humano do cinema italiano. Palmas. Um silêncio que transpira respeito. Arrepio. Stand up comedy que salta entre temas variados como Berlusconi, Berlusconi e Belusconi. Ah!E políticos italianos que não conhecia. Uma assombrosa dissertação sobre o amor inspirada em Dante. Inspira, mais e mais: Benigni está a recitar Dante!!! Fim. 5 "voltas" de aplausos. Seja a quem for: obrigada.

sábado, 18 de agosto de 2007

United colors of Burano






Depois de dois dias na incomensurável Veneza não pudemos deixar de aproveitar as últimas horas do terceiro para conhecer uma das pequenas ilhas que ladeiam a cidade de caminhos de água.
Depois de colares, jarras e até cachos de uvas em Murano o mais lógico era rumar até à ilha onde se fazia o bendito vidro.
Entramos no posto de turismo, pedimos um mapa e enquanto procurávamos Murano e os barcos até lá, a felizmente intrometida guia veio pedir-nos que escolhêssemos Burano. Como Indiana Jones bebés que ainda somos, aceitamos sem pensar (duas vezes?). Não, sem pensar muito no assunto, mesmo!
O barco seguiu o caminho de mar que tinha passagem pela cinematográfica ilha do cemitério. E levou-nos até aqui. Saltamos do barco e abriu-se um livro para crianças. As ilustrações eram casas. Estas. A história podia ser qualquer uma das que fazem adormecer os pequeninos.
Burano foi uma pepita de ouro na caixinha de surpresas em que se tornou esta viagem.