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sábado, 21 de março de 2009

A primavera (Pintura a óleo, do jardim de Monet, Giverny, 1886.)

Feliz Primavera. Feliz dia da árvore. Feliz dia da poesia. Parabéns Ana :)


domingo, 15 de março de 2009

Gran Eastwood

Há muito tempo que não saía assim do cinema, emocionada. Completamente. Pela arte. Mais ainda, pelo artista.

Gran Torino tem tudo que um filme precisa para ser um grande filme. Uma boa história que abraça temáticas reais. O conflito de gerações, a convivência entre culturas diferentes num mesmo país, o presente dos homens da guerra, a família, a tendência em empacotar a terceira idade, o bom e o mau do sonho americano and so and so. Todas elas carimbadas por uma série de objectos que vão ganhando significado ao longo do filme, traçando as linhas do fim dos dias de um homem duro que ama a América.

A proeza de fazer um grande filme num pequeno cenário. Duas casas, uma barbearia e pouco mais. O que é que Gran Torino tem de extraordinário?

O fim, o remate perfeito para os bens e os males de Walt Kowalsky. Ainda mais que isso:

O gigante CLINT EASTWOOD. Um verdadeiro filho do cinema. Que volta à sua velha forma: realização + representação. Uma entrega que chega a um realismo tão grande que nos temos que pôr em bicos de pés para vê-lo, com os olhos de quem vê um Picasso ou um Kandinsky. Como amantes de cinema. Como quem ama quem o faz com corpo e alma e nos faz perceber que o domínio da arte torna o artista parte dela. 

Que bandas como os Gorillaz continuem a fazer músicas com o seu nome. Que Clint nunca deixe de realizar e representar filmes. De ser cinematografia. Teríamos sido tão pobres sem ele.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Over the rainbow

Tirei esta foto há semanas atrás. Desde que ouvi falar deste filme pela primeira vez, tive um bom feeling. Não sei se pelo actor principal ser Sean Penn, protagonista de um dos meus filmes preferidos. Não sei se pelo realizador ser Gus Van Sant, que abalou os meus dias com alguns dos seus filmes. Não sei se por Emile Hirsch ter uns óculos parecidos com os meus. Não sabia mas ontem percebi. Disseste que ia adorar. Comprovou-se.

Harvey Milk: My name is Harvey Milk. And I’m here to recruit you.

Milk é o melhor ensaio sobre a cegueira dos últimos tempos. Um encaixe perfeito entre guião e as imagens reais, onde até os tons entre a imagem documental e a produzida estão em harmonia. É uma representação que Sean Penn leva à exaustão. Bravo!  É impossível não ficar revoltado coma revolta dos que não têm culpa e ao perceber que a luta iniciada por Milk ainda hoje não acabou.

 Espero sempre que os actores se superem a cada filme mas acho que Penn, apesar do grande repertório que já carrega, fez um dos, se não o papel da sua vida. O restante elenco não lhe fica atrás. Não posso deixar de sublinhar a prestação de James Franco e Emile Hirsch. Gus Van Sant encarregou-se de tudo o resto e daqueles «pormaiores» que são muito dele, que somam a grandes filmes delicadezas como uma «manif» ao som de «Over the Rainbow». Tudo para explicar que a grandeza do discurso e da luta de Harvey Milk foi provar que tudo o que defendia já estava escrito em frases da lei e constituição americana.

Harvey Milk: I know you’re angry. I am angry.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

segunda-feira, 3 de março de 2008

Juno: “ Um rabisco que não pode ser desfeito”

Incrivelmente inteligente para a sua idade e cheia de respostas perspicazes na ponta da língua. Menina de trato irónico, olhar sereno e postura descontraída. Atributos que fazem parte do tudo que (pre)enche a pequena Juno de contradições. A mais recente: um bebé aos 16 anos. “ Um rabisco que não pode ser desfeito, minha”, diz o vendedor da loja onde compra mais um dos muitos testes de gravidez ( o incrível Riann Wilson).
Nada em Juno é esperado. Nada em Juno tem 16 anos. Nada em Juno reage com o tom de uma adolescente ‘acidentalmente’ grávida que tem que abrir um espaço cada vez maior com a barriga por entre a multidão dos corredores da escola. A descontracção que põe em tudo é a mesma com que numa tarde ‘de seca’ decidiu fazer sexo pela primeira vez com o seu melhor amigo Bleeker.

Não, não estamos perante mais um filme para adolescentes – suspiramos.

Juno não recorre ao aborto, os pais reagem aparentemente bem à confissão seguida de um comunicado sobre a certeza de querer dar o filho para adopção, tem a ajuda incondicional da melhor amiga e enfrenta de forma descomplexada a sociedade que lhe crava os olhos. Uma reacção associada à figura de menina forte e, quem sabe, ao ponto a que as coisas chegaram hoje em dia, um ponto estranho para muitos mas, sobretudo, livre. “Hello, I’d like to procure a hasty abortion”. Expressões que passaram a ser chamadas de junismos.

Nunca poderemos comparar Juno a um a A Little Miss Sunshine mas sabemos que a carrinha amarela do filme com mais sumo concentrado dos últimos tempos lhe abriu portas, lhe deu este lugar nos Óscares e sobretudo nas principais salas de cinema. Sabemos que Juno e Leah são uma espécie de irmãs (bem) mais novas de Thora Birch e Scarlett Johansson, em Ghost World, que tanto trabalharam a sensibilidade do espectador para filmes “dark and funny”: filmes fixes, com miúdas muito à frente (da sua idade), com vidas carimbadas por ícones que vão dos anos 50 aos 80. Um caminho também feito por filmes como Garden State, onde os parvos são gente apaixonante e com sentimentos bonitos. Tentativas mal concretizadas por muitos dos filmes de Domingo à tarde.
Mais que a última personagem representada por Ellen Page, Juno é a nossa nova amiga. Tem 16 anos e está grávida - como milhares de outras jovens – pensamos. E quê? Ela é a primeira a não querer dar ênfase ao pânico que pode haver nisso mas sim à sorte que pode estar à espreita em tudo o resto. Apesar de tudo e por mais que Juno apareça no ecrã como uma pequena guerreira de armadura de ferro não perdemos vontade lhe dar um abraço. Afinal é uma menina, tem 16 anos, esteve grávida e decidiu dar o filho para adopção.



Porque há noites em que dizemos:
-Vamos?
E nos respondem:
-Bora! :)

sábado, 23 de fevereiro de 2008

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Movimentos dourados de guitarra portuguesa

…a banda sonora do nosso país.

Quando se ouve um homem que fala tanto com a guitarra, imaginamo-lo um ser tímido que comunica sobre tudo com as mãos. Mas Carlos Paredes não é assim.
Movimentos Perpétuos, o filme documental realizado por Edgar Pêra sobre o guitarrista português, é a prova disso. A narração é feita por Paredes, através das longas conversas que tinha com os espectadores, nos seus concertos. O concerto no Auditório Carlos Alberto, no Porto, em 1984, é o ponto de partida para o desenrolar de histórias de prisão, resistência, sucessos e amadorismo, relatos marcados pela simplicidade e pela paixão. Falam-nos ainda amigos e conhecidos que fizeram parte, de uma forma ou de outra, da sua vida, que o descrevem como um homem simples, muito simples, de uma humildade exagerada, do seu “ ar de quem quase pede desculpa por existir”, de “ quem lamentava o passado nas suas músicas mas sempre com esperança no futuro.” A grande diferença entre as notas de Paredes e as de muitos fadistas ou artistas que retratam as pedras da nossa calçada, a esperança.
O trabalho e a precisão de Edgar Pêra são bons. A articulação entre a música que sai dos dedos desvairados de Paredes e a imagem é milimetricamente sincronizada. E o recorrer à impureza das imagens em Super 8 pertinente. Contudo, justificava-se um pouco menos do experimentalismo, às vezes quase perturbador, tendo em conta que o tributado é Paredes.
Sem dúvida, uma boa aposta do PANORAMA. Um documentário obrigatório (como outros tantos) para qualquer português, e que o facto de estar inserido em cartazes como este acaba por fazer desta uma óptima oportunidade para o vermos.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

"I'm doing for music, I'm doing for love"

O Channel 4 prepara-se para transmitir o RIBA Stirling Prize 2007 - concurso que pretende premiar obras que se destacam no mundo da arquitectura moderna. Entretanto, está a decorrer uma "votação" no seu site que pela primeira vez destaca uma obra portuguesa: a nossa querida Casa da Música. Votem.

sábado, 22 de setembro de 2007

Nápoles





Qual é a coisa, qual é ela?...

Era o último de 5 dias nas Eolie, ilhas do distrito de Messina. Queríamos uma tarde tranquila daquelas que as ilhas tão bem nos souberam dar: de palavras de água salgada. A comandante Manú, que cresceu nos terrenos secos de Salina, já sabia o sítio até onde nos tinha que guiar.
Parou o carro. Estávamos em Pollara. Já se via o mar. Um painel cintilante de água que entrava por uma encosta de rochas perfeitamente esculpida que se via bem lá ao fundo de 150 escadas.
-Trouxe-te aqui porque sabia que ias gostar.
-É linda a praia.
-É, mas... estás a ver este portão? É o portão da casa onde foi filmado "O Carteiro", de Pablo Neruda.




Ilhas Eolie - Salina - Pollara





Ilhas Eolie - Stromboli



Ilhas Eolie - Salina - Santa Marina



























terça-feira, 14 de agosto de 2007

Verona

Francesca, a menina do mapa.
Casa da Julieta.
Vista sobre o rio.
Poço do amor
Milhares de mensagens de amor. Entrada da casa da Julieta.

Verona, cidade onde nascem cores entre varandas de amores proibidos.

domingo, 12 de agosto de 2007

Pádova




P.S. - Por problemas técnicos e de inexistencia ha falta de certos acentos e pontuaçao. Peço desculpa =P

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

3:47 a.m.

Chegou o dia.
Daqui a umas horas parto rumo ao país onde estão vários pedacinhos do meu coração. Chegou o dia que deixo o sol dos dias de ontem para trás, para mim e para todos que os partilharam comigo. Faço a mala pois sem dar conta chegou o dia. Seguem-se dias e meses.
O meu traço vai começar em Veneza, Verona, Pádua (dia 10 a 17 de Agosto); rodopiará por Bolonha e Florença (18 e 19) onde chegará um comboio que me leva até Villa San Genaro, um barco que me leva até Sicília (20 a 29 de Agosto). Nado até Puglia, Salento onde o carro das meninas me leva até Nápoles. Salto até Roma e Capri (31 de Julho a 9 de Setembro). Dia 9 ainda durmo na minha Barcelona e volto. Certamente mais rica e quente do sol e dos abraços quentes de quem separa pedaços de coração no mundo.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Contra-indicações de um shampoo de camomila

Fico magoada com a vida, que tanto levo ao colo, quando vejo linhas trocadas. Quando me chegam às mãos palavras magoadas de gente de algodão e camomila. Gente de coisas meigas assim, não merece.

Olho as voltas trocadas das coisas e choro. Não por mim mas pela vida trocada de quem merece tudo e não teve nada que merecesse.
Há uma tendência cruel para se pisar a bondade sem limites. Há um mundo que não entendo de sentimentos maus. Há um mundo nisso? Ou há um pedaço de mundo nisso?

Pego nas tuas folhas agora quadriculadas, junto-as como legos, mostro-te pedaços nas minhas mão. Mostro-te como podem formar figuras engraçadas. É possível construir um puzzle de flores com o que resta de outros jogos. Flores de sementes e frutos de árvores que um dia serão florestas.

Estás a ver as ondas do mar que estalam? Os pontos de luz perfumados da manta escura da noite? Enterra a mão na areia e procura a mensagem que te dá a certeza que nenhum deles deixou de estar aí. Nunca.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

360º perfeitos

Nunca pensei que a vida conseguísse rodar 360º perfeitos. Ciclos?
Pensar que o que cada dia se sonha não pode acontecer.
Acontecer o que se sonha cada dia. Não pensar.
Sonhar que aconteceu o que se pensa a cada dia.
Planear. Tentar chegar à situação perfeita. Fazer acontecer?
Quase sem darmos por isso tudo acaba por suceder em segundos. Acontecer magia é sempre assim.
Passaram-se anos.
Passaram-se passados.
Sabes...a sensação é que não se passou quase nada.
Estas aqui e o peso do tempo não existe. Quem disse que passou tempo? Parece mais que não te via desde ontem de tanto sempre estares aqui.
Aconteceu. Aconteceu? Aconteceu.
Acabar com o erro. Fazê-lo desaparecer. Dedicar-me ao fim dos meus males.
Chegar a ti.
Seja para o que for.
Apenas nunca mais perder, assim.
Venha o que tiver de vir.
Pego na vida com as mãos. Beijo-a com as linhas dos lábios e agradeço-lhe por esta volta de 360 perfeitos.

O teu cheiro continua o mesmo sorriso.